sexta-feira, 12 de abril de 2013

Tupaiulândia

  No lançamento do livro Tupaiulândia, de Paulo Rodrigues dos Santos, em 16 de agosto de 1971, com o governador do estado, Fernando Guilhon e o maestro Wilde Fonseca, o Dororó.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Inflação de poetas


INFLAÇÃO DE POETAS

Ao querido amigo WILMAR FONSECA

Tu me perguntas por que faço versos.
Eu te respondo, sim, mas indagando:
- Por que respiras? Por que bebes água
E buscas distrações de vez em quando?

Componho estrofes como quem precisa
Do sol, da chuva, do luar, do vento,
Do riso alegre, da palavra amiga
Para escapar ao tédio cismarento.

Há um detalhe, todavia - saibas:
Nenhuma terra neste mundo tem
Tamanhas sugestões para poemas
Como as possui a minha SANTARÉM!

Nesta Cidade toda gente canta,
Pois a paisagem tal fascínio inspira
Que um verso pronto brinca em cada boca
E em cada peito há maviosa lira!

Originalidade - vês? - não tenho:
Os Mocorongos todos são estetas.
Na linda “ALDEIA DOS TAPAJÓS” eu sou
Apenas UM dentre CEM MIL poetas!...

Emir Bemerguy, 04/08/1975.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Troféu Felisbelo Jaguar Sussuarana

No dia 7 de novembro de 1993, na Casa da Cultura, papai recebe, das mãos do Maestro Wilde Fonseca, o Dororó, o troféu Felisbelo Jaguar Sussuarana, no encerramento da 6ª Semana de Poesia.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Santarém Namoradeira


SANTARÉM NAMORADEIRA

(Prosa poética)

Escuta, ó Santarém:
Sabes que gosto de ti às pampas,
 Mas, às vezes, por isso mesmo,
Eu me zango contigo.
Falo desses teus amores, fáceis e descarados,
Com os dois janotas - AMAZONAS e TAPAJÓS
Que, em doida correria, acima e abaixo,
Vivem a dividir, aos empurrões e aos tapas,
As tuas inconstantes preferências!

Mas que vexame! Isso é feio, moça!
Não fica nada bem a uma filha de família,
E, sobretudo, a uma Princesa como tu!
Daí, a descompostura que te passo agora.
Pareces uma daquelas caboclas de subúrbio,
Bonitinhas, mas sem-vergonhas,
Que borboleteiam de braço em braço,
Não se decidindo por ninguém.

Explico-me:
Se passo, de manhã, lá no Caisinho,
Eu te vejo agradando,
Muito dengosa e sem termo,
A cara antipática e encardida
Do grandalhão AMAZONAS
Que, todo prosa, gargalha, dá cambalhotas,
E acaba rebentando as ventas na areia branca!

Volto, à tarde, e morro de vergonha:
Namoras cinicamente em plena praia
(E que despudorada mini-saia!),
De mãos dadas com o gostosão gabola
- Esse transviado TAPAJÓS
Que escandaliza todo mundo,
Enlaçando-te a cintura
Em meio a um turbilhão de beijos espumantes!

Muito bonito, hein?
E o pior deixei para contar agora:
Quando vem a noite de enluarada claridade,
Esqueces, de repente,
Os dois conquistadores baratos,
E ficas no maior agarramento... COMIGO!
Sim, comigo,
Este teu feio, ciumento e conformado amante,
Que, olhando a Lua,
Não se cansa de te reafirmar
Uma velha, fiel e crescente afeição,
Dizendo-te, ao planger nostálgico de um violão,
Doces banalidades e confidências meigas,

Segredos apaixonados que tu, entretanto,
Logo de manhãzinha,
Por entre risos zombeteiros
E com os cabelos desfeitos pelos ventos da aurora,
Vais levianamente revelar
Ao cretino AMAZONAS!
E tudo recomeça...
É bom que tomes juízo,
Ó minha travessa e formosa Santarém,
Porque se um dia,
Fartos de tanta volubilidade,
Resolvermos nós, os teus três chifrudos noivos,
Te deixar só,
Acabarás ficando mesmo em triste caritó!...

Emir Bemerguy, 05/12/1970.

domingo, 7 de abril de 2013

Namoro e casamento

Algumas quadrinhas feitas com o tema "Namoro e Casamento":



Papai disse que não tenho
Idade pra namorar,
Mas mamãe, aos treze anos,
Já queria era casar...

Fiquei noiva um destes dias;
Casamento está marcado.
Vou ver se antes do nó
Eu me divirto um bocado...

Rezo muito a Santo Antônio
Pra que não me deixe só.
Tenho medo, muito medo
De ficar no caritó.

Eu sonhei com Santo Antônio
Que me ralhou, certa vez:
“Você pede pra casar,
Mas não diz com qual dos três...

Eu tenho um fã tremendão
Que usa calças de veludo.
Papai quer ver o demônio,
Mas não o meu cabeludo.

Já sou também debutante,
Porém nunca namorei.
Mas pro ano, a esta altura,
Quem sabe não me casei?

Perguntaram-me se tenho
Vocação para ser freira.
Eu teria, se pudesse
Namorar a vida inteira.

Um rapaz foi lá por casa,
Com muita lábia e topete.
Papai, distinto, expulsou-o:
Ele correu qual foguete!

Meu namorado falou,
Respeitoso, com papai.
O velho nem respondeu:
Muito mal a coisa vai!

Não sou muito dessa história
De ter um ligeiro flerte:
Ou namoro de verdade,
Ou então não me diverte.

Em casa o drama é tremendo
Quando se fala em namoro.
Eu saio sempre perdendo
E abro logo no choro.

Já dizia minha avó,
Mulher bonita e sabida:
“Mais vale esposa infeliz
Do que freira arrependida.”

Emir Bemerguy, 15/5/1967.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Diploma

Papai foi professor de Português durante muitos anos, e sempre teve muito cuidado com a correção gramatical de seus textos. Praticamente todos os livros que tinha em sua biblioteca têm anotações corrigindo erros gramaticais ou de revisão. Quando ele escrevia para o jornal "O Liberal", mandava os artigos por fax e, ao receber o jornal, no domingo, ficava muito irritado quando encontrava erros no seu artigo causados pela digitação feita no jornal. Na imagem abaixo, uma cópia do certificado que recebeu em 1990 ao ganhar o primeiro lugar em concurso de trovas da União Brasileira de Trovadores. Ao perceber que sua trova havia sido transcrita de forma incorreta no documento, ali mesmo papai externou sua irritação, escrevendo "Vão aprender a copiar!..."

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Terra da Liberdade

Em conjunto com o Maestro Isoca, papai fez alguns sambas enredo para escolas de samba de Santarém, em especial a "Ases do Samba", de Laurimar Leal. Em 1976, o enredo contava um interessante fato da história de Santarém: antes da assinatura da "Lei Áurea" em 1888, os escravos da cidade já tinham sido libertados, e ainda fizeram um grande banquete em homenagem aos antigos patrões.


TERRA DA LIBERDADE

Composto a pedido de Laurimar Leal – Música de Wilson Fonseca

Foi na antiga Santarém
Das sinhás, dos lampiões,
Dos escravos, das chibatas,
Dos feitores e patrões.
O episódio é tão bonito
Que fascina toda gente.
Neste samba nós contamos
Essa história comovente.

ESTRIBILHO
Preto alegre canta e chora,
Põe na voz o ardor que tem!
Antes mesmo da “Lei Áurea”
Era livre em Santarém!

A Princesa não havia
Assinado o documento
Extinguindo a escravatura,
Mas findara o vil tormento
Nesta terra abençoada
Que tem alma e coração:
A viril Tupaiulândia
Dera aos negros o perdão!

Não irá mais preto velho
Apanhar como animal,
Nem escravo fugitivo
Se esconder no matagal!
Desce a paz sobre as senzalas,
Vive rindo Mãe Maria,
Porque ela e seus irmãos
Ganham cartas de alforria!

O final do cativeiro
Revelou quanto eram nobres
Os escravos libertados:
Apesar de serem pobres,
Reuniram seus tostões
E entre risos, festas, flores,
Um banquete ofereceram
Aos confusos ex-senhores!

Emir Bemerguy, 05/11/1975.