segunda-feira, 29 de abril de 2013

Triunfal Consagração


TRIUNFAL CONSAGRAÇÃO

Musicado pelo autor

De dois rios és namorada
Ó cidade idolatrada!
Todo mundo te quer bem!
Leva tempo muito longo
Se começa o mocorongo
A louvar-te, Santarém!
Porque tens tanta beleza,
Penso até que a Natureza
Tem predileção por ti.
Andei por outros recantos:
Fui olhar os seus encantos.
Ah! Se vissem os daqui!...

Qual morena sem vaidade,
Mas bonita de verdade,
Nos cabelos uma flor,
Cada vez que um ano passa
Tens mais vida, tens mais graça,
Santarém do meu amor!
Uma prece comovida
Fiz por ti, terra querida:
Supliquei a Deus Bondoso,
Com fervor no coração,
Triunfal consagração
Num porvir maravilhoso!

Emir Bemerguy, 07/06/1967.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Desenho centenário

  Desenho feito há mais de cem anos por um viajante desconhecido, onde aparecem o "Morro da Fortaleza" e outros detalhes do litoral santareno.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

O naufrágio da lua



O NAUFRÁGIO DA LUA

À minha esposa, Berenice


BERENICE convoca-me à janela:
“Olha, meu bem, que encantador clarão!
A Lua cheia, intensamente bela,
Dará ao meu poeta inspiração!”

Contemplamos, mãos dadas, a aquarela
Que Deus pintou na célica amplidão.
Beijando-a ternamente, digo a ela
Algo que tenho bem no coração:

- É deslumbrante a cena, meu amor!
Em ti, no entanto, encontro mais fulgor
Que em toda a luz azul deste luar!

Dos teus olhinhos fito as profundezas,
Vendo a maior de todas as lindezas:
O naufrágio da Lua nesse olhar!...

Emir Bemerguy, 05/08/1974.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Cidadela de Bravos

Este poema foi composto em 1968, a pedido do vereador Clementino Lima, para ser a letra do futuro Hino de Santarém (naquela época, não havia ainda um hino oficial). Posteriormente, foi escolhido para hino a bela canção escrita por Paulo Rodrigues dos Santos e musicada pelo maestro Isoca. No dia 22/06/2012, o Dr. Vicente Fonseca musicou esta letra. após ler sua transcrição no blog "O Mocorongo", de Ércio Bemerguy, acrescentando mais uma às suas várias parcerias com papai.


CIDADELA DE BRAVOS


Cintilando aos clarões da alvorada,
Nas brilhantes manhãs da Amazônia,
És a “PÉROLA” imensa, engastada
Nesta azul vastidão tapajônia!

Santarém, cidadela de bravos!
Prometemos aqui todos nós
Defender-te de injúrias e agravos
Com o ardor dos viris Tapajós!

Força alguma jamais deterá
Teu progresso constante e febril
Que repleta de orgulho o Pará
E mais glórias concede ao Brasil!

As razões da grandeza presente
Tua História sublime contém.
Segue, pois, triunfal, para a frente,
Sob as bênçãos de Deus, Santarém!

Emir Bemerguy, 29/05/1968.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Serenata

Fazendo uma serenata doméstica em 1970 na residência de Braz Coimbra, com Machadinho e o Maestro Isoca.


sábado, 13 de abril de 2013

Autobiografia em versos



NASCIMENTO, MISÉRIAS E EPITÁFIO DO POETA MENOR


Eu tanto relutei em vir ao mundo
Que de mamãe fui extraído... a ferros!
Nasci roxo de raiva - furibundo!
Muito custando a desferir meus berros!

Com a intuição estranha dos poetas,
Briguei ao pôr a cara neste inferno:
Adivinhando as horas inquietas,
Queria a paz do útero materno!

Para soltar o choro revoltado
Que faz rir sempre a parentela aflita,
Apanhei tapas como um cão danado:
- “Agora, sim! O nenenzinho grita!...”

Feio como raríssimos pimpolhos
- Pés tortos, magricela, cabeçudo! -
Meus pais passaram por cem mil trambolhos:
Para eu ser gente, eles fizeram tudo!

Botas de ferro... Sebo de carneiro...
“Dom Amando”... “Colégio Nazaré”...
E ao doutorar-me no lugar primeiro,
Casei-me - ingratalhão! – e... dei no pé!

Hoje, aos quarenta e dois anos, pondero,
Olhando os rastros que deixei atrás,
Sobre o que fiz na vida - e sou sincero:
Esse balanço não me satisfaz!

Só realizo mínimas parcelas
Do Bem que tanto anseio praticar!
Desperdicei ocasiões tão belas
De mais um pouco me santificar!

Cônscio, porém, de tais limitações,
Prossigo a batalhar em campo aberto:
Um IDEAL motiva-me as ações
E me sustém nas trilhas do deserto:

Quando nasci, chorava eu, sozinho;
Todos sorriam, plenos de alegria.
Quero, meu Deus, que, ao termo do caminho,
Pranteiem todos e só eu sorria!

Desejo, então, como troféu final,
Merecer epitáfio como aquele:
- “Hoje no mundo existe menos mal
Porque Emir Bemerguy passou por ele!...”
 
Emir Bemerguy, 28/4/1975